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Quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O que aprender com Israel
José Pio Martins*
Há algo que me intriga há algum tempo: o que leva um país com apenas 7,9 milhões de habitantes (o Paraná tem 10,4 milhões), um território minúsculo (menor que o estado de Sergipe), terras ruins, sem recursos naturais, com apenas 65 anos de existência e em constantes conflitos militares, a ser um dos maiores centros de inovação do mundo, ter 63 empresas de tecnologia listadas na bolsa Nasdaq (mais que Europa, Japão, China e Índia somados), ter registrado 7.652 patentes de alta tecnologia entre 2002 e 2005, e haver ganho 31% dos prêmios Nobel em Medicina e 27% em Física? O que explica o extraordinário desenvolvimento econômico e tecnológico de Israel?
Pela lista de carências e problemas citados, Israel tinha tudo para ser mais um país atrasado e miserável. Mas, além de não o ser, o país transformou-se em um oásis de inovação, tecnologia e desenvolvimento. Muitas maravilhas que usamos hoje vêm de lá: o pendrive, a memória flash de computador e muitos medicamentos que salvam vidas!
Muitos dirão que é o dinheiro dos norte-americanos e dos judeus espalhados pelo mundo que faz o sucesso de Israel. Não é, porque nenhuma montanha de dinheiro transforma uma nação de atrasados e ignorantes em gênios da inovação e ganhadores de prêmios Nobel. Aliás, grande parte do dinheiro recebido por Israel foi usado em defesa e conflitos militares. Na verdade, o apadrinhamento militar de Israel nos primeiros anos de sua fundação não foi dado pelos Estados Unidos, mas pela França, cujo apoio cessou somente em 1967, após a Guerra dos Seis Dias. Nos livros que pesquisei, não há explicação simplista para o sucesso de Israel.
Destaco apenas quatro pontos:
Em primeiro lugar, a sua história e a cultura de seu povo. A religião judaica dá ênfase à leitura e à aprendizagem, mais que aos ritos. A perseguição aos judeus e a proibição, durante a Idade Média, de possuírem terras, os levou a estudar e tornaram-se médicos, banqueiros, engenheiros ou optaram por profissões que pudessem ser exercidas em qualquer lugar que habitassem.
Depois, vem o apreço pela tecnologia e pela inovação. Israel gasta 4,5% de seu produto bruto em pesquisa e desenvolvimento, contra 2,61% dos Estados Unidos e 1,2% do Brasil. Na ausência de recursos naturais e pressionado pela necessidade de existir, Israel entrou de cabeça na cultura primordial da pesquisa, descobrindo e inovando.
Em terceiro lugar, a estrutura educacional. A crença de que aúnicasaída para o desenvolvimento - mais que os recursos naturais- é a Educação de qualidade e isto permanece na raiz da cultura de Israel. Do Ensino Básico até a Universidade, Israel desfruta de uma Educação de alto nível eacessível a todos os seus cidadãos. Se você pensa encontrar umjudeu analfabeto, desista.É uma questão cultural: para eles, Povo e Educação são os bens maiores (acima de qualquer governo).
E, por fim, o respeito pelo empreendedor e pelo fracasso. Em Israel,
valoriza-se muito aquele que se dispõe a inventar, inovar ou empreender.
Quem tenta e fracassa é respeitado e apoiado, pois eles acreditam que a
falência é um aprendizado, aumenta a chance de acertar na próxima vez. Isso leva a uma ausência de medo ao fracasso e é elemento-chave na cultura da inovação. No Brasil, o desgraçado que falir uma microempresa nunca mais consegue uma certidão negativa e jamais volta a ser empreendedor.
*José Pio Martins é o Reitor da Universidade Positivo, Curitiba/PR.


