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Sexta-feira, 8 de novembro de 2013

PIB do terceiro trimestre vai incluir pesquisa sobre serviços

SÃO PAULO

O cálculo do Produto Interno Bruto vai incluir indicador do setor de serviços, segundo nota divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Conta Nacional referente ao terceiro trimestre deste ano, prevista para sair no dia 3 de dezembro, já vai incluir a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) como fonte de dados para o cálculo. De acordo com a nota, os resultados vão ser considerados principalmente em segmentos de logística, como transportes, correio, serviços de informação, de alimentação e moradia. De acordo com a gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Talis, a mudança tem o objetivo de aperfeiçoar o cálculo do PIB. "Essa é uma pesquisa nova que traz informações importantes sobre uma área que era carente. Resolvemos não esperar muito tempo para incorporar e fazer no terceiro trimestre que era quando nós já fazíamos revisões", disse.

O terceiro trimestre do ano costuma ser o período em que a série histórica do índice é revisada. Este ano, o comunicado diz que por conta da implantação da nova série do Sistema de Contas Nacionais, essas revisões não serão feitas. Ainda assim, todos os trimestres do ano passado foram compatibilizados com o novo cálculo que inclui a PMS. E, de acordo com Rebeca, eles aproveitaram para incluir outros dados, como pesquisas do setor industrial e agrícola.

A PMS traz apenas variações nominais (que não leva em conta a variação da inflação) do setor, desde janeiro de 2012. Os dados divulgados pelo IBGE referentes ao mês de agosto apontam crescimento de 6,6% nos serviços aquele mês, comparado com o mesmo período do ano anterior. No acumulado de oito meses, o crescimento foi de 8,3% e, em 12 meses, ficou em 8,6%.

O instituto divulgou os índices utilizados para deflacionar os dados e, assim, eles poderem ser utilizados no principal indicador de crescimento da economia. Mas isso não foi suficiente para que o diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade não investisse em críticas à mudança.

Para Andrew Storfer, foi uma alteração apressada, que gera desconfiança no mercado. "Embora exista um motivo técnico para isso, qualquer mudança de medição que o governo faça, cheira a manipulação. Não se consegue alcançar alguma coisa, a medida está desconfortável, então muda a régua. O IBGE está acompanhando isso [a PNS] desde janeiro de 2012, mas eles ainda não tiveram nenhum ajuste nesses dados por questões sazonais e de um deflator", disse.

O economista acredita que a nova incorporação deve puxar o PIB um pouco mais para cima nesse terceiro trimestre, mas duvida que as previsões do mercado possam sofrer mudanças drásticas. "A nossa expectativa é que termine com algo em torno de 2,3%, 2,4%", afirmou. Ele também acredita que a alteração poderia ter sido feita com mais calma "É véspera de um ano eleitoral, houve uma pressão muito grande em cima do governo pelos resultados macroeconômicos ruins e eles fazem a mudança, como fizeram com a metodologia do superávit primário, uma manobra contábil para dizer que atingiu a meta", concluiu.

Expectativa

O último Relatório de Mercado - Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) na primeira segunda-feira do mês mostrou que o mercado espera um crescimento de 2,5% do PIB no ano de 2013. É a segunda semana que a previsão permanece a mesma. Há quatro semanas, estava em 2,47%. Para 2014, a previsão de crescimento caiu de 2,20% há quatro semanas para 2,13% na última sexta-feira. O BC também divulgou o Boletim Regional, na última quarta-feira. Segundo o documento, o crescimento do Índice de Atividade Econômica da entidade (IBC-Br) atingiu 0,1% no trimestre encerrado em agosto e 1,3% naquele terminado em maio. "O ritmo da atividade observado em nível nacional, no final do primeiro semestre de 2013, não teve continuidade no início do segundo", informa o boletim.

 

Fonte: DCI