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Farra fiscal ameaça ajuste que custou R$ 813 bilhões
Tesouro Nacional foi obrigado a assumir parte das dívidas de estados e municípios e rombos de bancos públicos a fim de arrumar as finanças do Brasil. Fatura ainda não foi paga, mas legisladores e governantes de plantão querem mudar a lei para elevar a gastança e o endividamento
O Brasil parece se esquecer de que um dia foi a nação da irresponsabilidade fiscal. Os desarranjos nas contas públicas nos anos 1980 e 1990, que quase levaram o país à bancarrota, custaram à sociedade, em valores atualizados, R$ 813 bilhões. Essa fatura foi assumida pelos contribuintes por meio do Tesouro Nacional para cobrir rombos nos caixas de bancos públicos, estados e municípios deixados por governadores e prefeitos, alguns corruptos, que viram o patrimônio pessoal se multiplicar ao mesmo tempo em que as finanças das unidades da Federação pela quais deveriam zelar se desintegravam.
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| "A flexibilização da política fiscal não ajuda em nada. Não é hora de medidas que aumentem os gastos públicos. O momento é de ajuste" Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central |
Não sem razão, há uma gritaria geral contra legisladores e administradores públicos que sonham em aumentar gastos impunemente, com fins eleitoreiros. Boa parte dessa montanha de dinheiro, que equivale a um quinto do Produto Interno Bruto (PIB), ainda não foi quitada: deve ser zerada ao longo de mais 15 anos. Pior, os donos do poder de hoje pregam mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que impôs limites à gastança desenfreada, e defendem a renegociação das dívidas de estados e municípios para abrir espaço a mais endividamento. Como se os contribuintes não se importassem em pagar mais impostos e bancar a farra de gestores iresponsáveis.



