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Segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Farra fiscal ameaça ajuste que custou R$ 813 bilhões

Tesouro Nacional foi obrigado a assumir parte das dívidas de estados e municípios e rombos de bancos públicos a fim de arrumar as finanças do Brasil. Fatura ainda não foi paga, mas legisladores e governantes de plantão querem mudar a lei para elevar a gastança e o endividamento

O Brasil parece se esquecer de que um dia foi a nação da irresponsabilidade fiscal. Os desarranjos nas contas públicas nos anos 1980 e 1990, que quase levaram o país à bancarrota, custaram à sociedade, em valores atualizados, R$ 813 bilhões. Essa fatura foi assumida pelos contribuintes por meio do Tesouro Nacional para cobrir rombos nos caixas de bancos públicos, estados e municípios deixados por governadores e prefeitos, alguns corruptos, que viram o patrimônio pessoal se multiplicar ao mesmo tempo em que as finanças das unidades da Federação pela quais deveriam zelar se desintegravam.

'A flexibilização da política fiscal não ajuda em nada. Não é hora de medidas que aumentem os gastos públicos. O momento é de ajuste' Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central (Evandro Matheus/Esp. CB/D.A Press - 18/11/09)  
"A flexibilização da política fiscal não ajuda em nada. Não é hora de medidas que aumentem os gastos públicos. O momento é de ajuste" Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do Banco Central



Não sem razão, há uma gritaria geral contra legisladores e administradores públicos que sonham em aumentar gastos impunemente, com fins eleitoreiros. Boa parte dessa montanha de dinheiro, que equivale a um quinto do Produto Interno Bruto (PIB), ainda não foi quitada: deve ser zerada ao longo de mais 15 anos. Pior, os donos do poder de hoje pregam mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que impôs limites à gastança desenfreada, e defendem a renegociação das dívidas de estados e municípios para abrir espaço a mais endividamento. Como se os contribuintes não se importassem em pagar mais impostos e bancar a farra de gestores iresponsáveis.