Segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
61 milhões estão fora da força de trabalho, mostra nova pesquisa do IBGE
FOLHA DE SÃO PAULO
DE BRASÍLIA - 18/01/2014
Um contingente de 61,3 milhões de brasileiros de 14 anos ou mais não trabalha nem procura ocupação e, portanto, não entra nas estatísticas do desemprego. Trata-se de 38,5% da população considerada em idade de trabalho pelo IBGE, o equivalente à soma do total de habitantes dos Estados de São Paulo e do Rio. Nos EUA, ainda recuperando-se da crise, a taxa é similar, 37,4% mas as metodologias aplicadas não são as mesmas.
Referente ao segundo trimestre de 2013, os dados ajudam a ilustrar como, apesar das taxas baixas de desemprego, o mercado de trabalho mostra sinais de precariedade. Mesmo retirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 29,8 milhões de pessoas fora da força de trabalho nacional, e portanto não colaborando com a arrecadação das contribuições sociais, seja porque desistiram de procurar emprego, seja porque nem tentaram, ou porque são amparados por benefícios sociais.
Esse número supera o quádruplo dos 7,3 milhões de brasileiros oficialmente tidos como desempregados nas tabelas do IBGE, o que dá uma ideia de quanto o desemprego poderia crescer se mais pessoas decidissem ingressar no mercado e disputar vagas.
A grande parte dos que estão fora da força de trabalho é dona de casa: 40,9 milhões são mulheres. Entre os desempregados, a proporção de mulheres é bem menor, de pouco mais da metade. O grau de instrução da maioria dos que não trabalham nem procuram emprego, previsivelmente, é baixo: 55,4% não chegaram a concluir o ensino fundamental.
Mas uma parcela considerável, quase 25% do total, inclui os que contam com ensino médio completo ou maior escolaridade. Considerando toda a população em idade de trabalho (159,1 milhões), as proporções dos grupos menos e mais escolarizados são semelhantes.
Esta pesquisa ainda não permite análise da evolução dos dados nos últimos anos, mas outros trabalhos paralelos apontam melhorias na participação feminina e na escolaridade do mercado de trabalho.
Estudo de 2012 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontou que mais da metade das mulheres participa atualmente da força de trabalho, ante menos de um terço no início da década de 1980.
O ministro do Trabalho, Manoel Dias, diz que a pasta ainda está avaliando os resultados da pesquisa. Ressaltou que não é possível ainda dizer se houve alta do desemprego, já que trata-se de uma nova metodologia.