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Quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ebitda

Ebitda é a sigla de “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, que significa "Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização", em português. Em outras palavras, Ebitda é um indicador financeiro, também chamado de Lajida, e representa quanto uma empresa gera de recursos através de suas atividades operacionais, sem contar impostos e outros efeitos financeiros. O Ebitda é importante para os empresários e administradores de empresas, pois dá a possibilidade deles não analisarem apenas o resultado final da organização, e sim o processo com um todo, sendo este indicador bastante utilizado no mercado de ações. Em épocas de divulgação e demonstração de resultados o Ebitda é um dos índices mais recomendados e buscados pelos investidores, visto que ele é utilizado essencialmente para analisar o desempenho das organizações, sendo capaz de medir a produtividade e a eficiência da empresa, ponto que é essencial para o empresário que pretende investir. Em linhas gerais, o Ebitda é uma medida simplificada de geração de caixa que se popularizou a partir da década de 1990 com a internacionalização dos mercados e as diferenças entre as taxas de depreciação e alíquotas de impostos dos vários países. Além disso, o Ebitda é mais apropriado para analisar companhias endividadas, cujos resultados financeiros reduzem sobremaneira o lucro líquido (quando não geram prejuízos), tornando o uso do múltiplo mais tradicional, o P/L (preço por lucro), inaplicável. Por ser tido como essencial para o investidor e não ter uma regra clara para seu cálculo, nos últimos tempos, o Ebitda vinha sendo elaborado de forma muito particular e divergente entre as empresas, prejudicando a comparabilidade do indicador entre as companhias. Para por fim à chamada maquiagem de números, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), por intermédio da Instrução 527/2012, regulou como as empresas devem calcular o indicador Ebitda, embora os atos da CVM não sejam tecnicamente leis, compõem a legislação que rege o direito societário brasileiro junto com a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/1976) e outras leis esparsas. Para se calcular o EBITDA o primeiro passo é encontrar e calcular o lucro operacional, que, de acordo com o critério utilizado no Brasil, é obtido como a subtração, a partir da receita líquida, do custo das mercadorias vendidas (CMV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas com juros e outros itens financeiros). Depois de encontrado o lucro operacional é preciso somar ao mesmo a depreciação e amortização inclusas no CMV (custo da mercadoria vendida) e nas despesas operacionais. Isso porque essas contas não representam saída de caixa efetiva no período. Em resumo, a depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo, e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda, vale ressaltar, é apenas econômica e não financeira, ou seja, não há um desembolso efetivo do recurso no período. Outra conta que deve ser acrescentada no EBITDA é a despesa financeira líquida, que foge do escopo de análise do indicador, ou seja, de efetivo desempenho operacional. Assim, para o cálculo do EBITDA, adicionam-se os juros, depreciação e amortização ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos. Resumidamente, temos a seguinte fórmula para o Ebitda: Ebitda = Lucro Operacional Antes do Imposto de Renda e Despesa Financeira + Depreciação + Amortização Com a regulamentação da CVM, o cálculo do Ebitda deve tomar por base exclusivamente as demonstrações contábeis oficiais e não as gerenciais e, assim, teremos o chamado Ebitda “oficial”, que será o resultado líquido do período acrescido dos tributos sobre o lucro, das despesas financeiras menos as receitas financeiras, das depreciações, amortizações e exaustões. O Ebitda “oficial” não pode excluir qualquer item não recorrente, não operacional ou de operações descontinuadas. Por outro lado, como ressalva, vale lembrar que o Ebitda pode dar uma falsa ideia sobre a efetiva liquidez da empresa. Além disso, o indicador não considera o montante de reinvestimento requerido (pela depreciação), fator especialmente crítico nas empresas que apresentam ativos operacionais de vida curta. Assim, o Ebitda é um indicador financeiro muito relevante, mas que deve ser utilizado combinado com outros indicadores de desempenho para fornecer uma visão mais apropriada da performance da empresa. Ainda assim, é certamente o mais acompanhado pelos analistas e acaba ganhando bastante importância também na análise de crédito e nos múltiplos de avaliação de empresas. Em determinado cenário, uma empresa pode apresentar um Ebtida verdadeiramente “astronômico” e nem sequer ter dinheiro para pagar os salários (basta que tenha vendido a clientes que não pagam, ou que tenha efetuado grandes investimentos). Isto deve-se ao fato de este indicador analisar somente as contas de resultado, não se importando com a movimentação patrimonial. Concluindo, considerar somente o Ebtida como um indicador financeiro eficaz e suficiente para a análise do fluxo de caixa e vida econômica de uma empresa poderá levar a investidora uma grande e amarga desilusão, como diz aquele antigo ditado: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Andréa Giungi Consultora – Área de Impostos Federais, Legislação Societária e Contabilidade - EDITORA CPA