Segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Veja perguntas e respostas sobre o vírus ebola
O vírus ebola já afetou 8.033 pessoas e matou 3.865 delas, segundo balanço de 5 de outubro divulgado pela Organização Mundial da Saúde, agência das Nações Unidas.
Inicialmente, o ebola atingiu seu ápice no continente africano, que enfrenta um surto sem precedentes em relação ao número de pessoas infectadas, de mortos e extensão geografia. Guiné, Libéria, Nigéria, Senegal e Serra Leoa tiveram ocorrências.
Nos últimos dias, o vírus também foi detectado nos Estados Unidos e na Espanha, país que registrou o primeiro caso de contaminação autóctone (infectado no próprio território) fora da África.
Causador da febre hemorrágica, o vírus é um dos mais mortais que existem. Ele mata até 90% dos infectados e ainda não há vacina disponível para uso na população.
Ele foi registrado nos primeiros seres humanos em 1976, em Yambuku, uma aldeia na República Democrática do Congo, às margens do Rio Ebola. Desde então, mais de 20 surtos da doença ocorreram em países da África Central e Ocidental.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre essa doença:
Como o ebola se manifesta na pessoa doente?
O ebola é uma doença grave causada por vírus. Ela é muitas vezes caracterizada pelo início súbito de febre, fraqueza intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Depois vêm vômitos, diarreia, funções hepática e renal deficientes, erupções cutâneas e, em alguns casos, sangramentos internos e externos, com interrupção do funcionamento dos órgãos. Exames de laboratório incluem baixa de glóbulos brancos e de plaquetas e aumento das enzimas hepáticas. O período de incubação do vírus pode durar de dois dias a três semanas e o diagnóstico é difícil.
Como o vírus se espalha?
Seres humanos pegam o vírus por meio do contato próximo com animais infectados, incluindo chimpanzés, gorilas, antílopes e morcegos que se alimentam de frutas. Os morcegos da família Pteropodidae são considerados os hospedeiros naturais da doença. O ebola também passa de uma pessoa para outra, por contato direto com sangue contaminado, fluidos corporais ou órgãos, ou indiretamente, por meio do contato com ambientes contaminados. Os funerais daqueles que tinham a doença podem ser um risco, se as pessoas presentes têm contato direto com o corpo.
Onde ocorre a epidemia atualmente?
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o maior número de casos foi registrado na Libéria, seguido de Serra Leoa e Guiné. Nesses três países, o número de contaminados e mortos tem aumentado a cada novo balanço divulgado pela agência da ONU. Senegal e Nigéria também registraram ocorrências, mas, aparentemente, o surto foi controlado.
Os Estados Unidos acenderam o alerta ao registrar o primeiro caso importado da doença. Thomas Eric Duncan, da Libéria, visitava sua noiva no Estado do Texas quando sentiu os sintomas da doença. Ele morreu em um hospital de Dallas na quarta-feira. O país investiga possíveis casos suspeitos.
A Espanha registrou o primeiro caso de contágio do ebola fora da África. Uma enfermeira foi contaminada ao cuidar de dois missionários, também espanhóis, que contraíram a doença em Serra Leoa. Eles acabaram morrendo. A mulher está internada em estado grave.
Segundo Luis Gomes Sambo, diretor regional da OMS para a África, "o atual surto tem o potencial de se espalhar para fora dos países afetados e além da região se medidas urgentes e relevantes de contenção não forem postas em prática", acrescentou.
A doença pode ser levada de avião a outros países, espalhando a epidemia?
É possível que uma pessoa com ebola viaje de avião, mesmo a lugares distantes, já que a doença pode levar três semanas para se manifestar. No entanto, o professor William Shaffner, da Universidade Vanderbilt, nos EUA, em entrevista ao site americano LiveScience, apontou que não é muito provável que essa doença se espalhe da forma como tem ocorrido nos países africanos se os serviços de saúde agirem de forma a isolar as pessoas contaminadas. “Os serviços médicos ocidentais provavelmente lidariam relativamente bem em ‘capturar' o ebola quando ele chegasse, porque estaríamos cientes de que as pessoas vieram de áreas afetadas”. Ele destaca que para ser contaminado é preciso ter contato próximo com uma pessoa doente, com troca de fluidos corporais. “Estar com a mesma pessoa num só ambiente, por si só, não é perigoso”.
Há necessidade de fechar fronteiras e restringir voos por causa da epidemia?
A OMS, por enquanto, não recomenda restrições de viagens ou fechamento de fronteiras devido ao surto de ebola. Mesmo assim, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, anunciou no dia 27 de julho o fechamento da maior parte das fronteiras terrestres do país, depois que o vírus se espalhou para duas das maiores cidades do oeste da África. As companhias aéreas British Airways e Emirates suspenderam seus voos para países da África Ocidental. A partir do último sábado, os Estados Unidos passaram a introduzir os testes de detecção de ebola nos aeroportos. A medida teve início em Nova York. Nos outros locais, são esperados para a próxima semana.
Por que nos países afetados a doença está se espalhando dessa maneira?
Um problema grave que fomenta a epidemia atualmente é que naquela região há hábitos tradicionais como lavar os cadáveres antes do funeral, o que gera um contato capaz de transmitir o ebola. A OMS já disse publicamente que essas práticas culturais "contribuem fortemente" para a epidemia. Além disso, há muita movimentação de pessoas através das fronteiras de Guiné, Libéria e Serra Leoa, o que possibilitou à epidemia se tornar internacional.
Entenda a doença
Nome: Ebola.
Taxa de mortalidade: 90%.
Descoberta: 1976, no Congo.
Origem: desconhecida. Cientistas afirmam que morcegos-da-fruta são prováveis hospedeiros.
Sintomas
Dor de cabeça;
Dor de garganta;
Febre;
Dor muscular;
Vômito;
Diarreia;
Fraqueza.
Sintomas graves
Erupção cutânea;
Interrupção do funcionamento dos órgãos;
Deficiência renal;
Sangramentos internos e externos;
Morte.
Transmissão
Pode ser contraído de humanos e animais;
Contato com sangue, secreções ou outros fluidos corporais contaminados;
Presença em ambientes com o vírus;
Proximidade com vítimas do ebola.
Fonte: G1.