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Quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Provisão ou Passivo Contingente?

O Pronunciamento Técnico CPC 25, em correlação às Normas Internacionais de Contabilidade – IAS 37, estabelece procedimentos contábeis distintos para as provisões e passivos contingentes. Em função disso, é importante para a correta prática da norma contábil e para evitar ressalvas nas demonstrações elaboradas (nos casos de entidades auditas) saber identificar corretamente provisões e passivos contingentes, bem como conhecer as normas específicas estabelecidas para cada caso. Segundo o CPC 25: “... Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos. ... Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. ... Passivo contingente é: (a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. Em regra geral, toda provisão é contingente porque é incerta quanto a seu prazo e/ou valor. ...” Observa-se que a provisão está vinculada a uma obrigação presente, ou seja, há uma certeza quanto à obrigação e incerteza apenas quanto ao seu prazo e/ou valor. Já o passivo contingente está vinculado a uma possível obrigação, hipótese em que há incerteza tanto em relação a exigência da própria obrigação como em relação ao prazo e/ou valor. Abaixo transcrevo exemplos abordados no Apêndice do CPC 25 para melhor compreensão: “1. Política de reembolso - Uma loja de varejo tem a política de reembolsar compras de clientes insatisfeitos, mesmo que não haja obrigação legal para isso. Sua política de efetuar reembolso é amplamente conhecida. Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação – O evento que gera a obrigação é a venda do produto, que dá origem à obrigação não formalizada porque a conduta da loja criou uma expectativa válida nos seus clientes de que a loja irá reembolsar as compras. Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação – Provável, haja vista que bens, em certa proporção, são devolvidos para reembolso. Conclusão – Uma provisão deve ser reconhecida pela melhor estimativa dos custos de reembolso. 2. Treinamento para atualização de pessoal como resultado de mudança na tributação do imposto de renda - O governo introduz certo número de mudanças na tributação do imposto de renda. Como resultado dessas mudanças, a entidade do setor financeiro irá necessitar de treinamento para atualização de grande número de seus empregados da área administrativa e de vendas para garantir a conformidade contínua com a regulação bancária. Na data do balanço, nenhum treinamento do pessoal havia sido feito. Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação – Não há obrigação porque o evento que gera a obrigação (treinamento para atualização) não foi realizado. Conclusão – Nenhuma provisão é reconhecida.” Esclarecido a diferença entre provisão e passivo contingente destaco o tratamento contábil atribuído a cada caso. Uma provisão deve ser reconhecida pela entidade, quando: - existe uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; - é provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e - pode ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Já os passivos contingentes não devem ser reconhecidos porque a sua existência somente será confirmada pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros, incertos e não totalmente sob o controle da entidade. Destaco que, se faz necessário a avaliação periódica dos passivos contingentes a fim de verificar se desenvolveram-se da maneira incialmente esperada pela empresa ou não, visto que em determinado momento passe a existir(em) expectativa(s) de que uma provável saída de benefícios econômicos futuros, hipótese em que, a provisão deve ser reconhecida nas demonstrações contábeis do período no qual ocorre a mudança na estimativa. Diante do exposto, para concluir, de forma simplista pode-se fazer a seguinte distinção: Provisões: São reconhecidas (contabilizadas) como passivos. Passivos Contingentes: Não são reconhecidos (contabilizados) como passivos. Ainda, em relação à saída de recurso: Se for provável: reconhece (contabiliza) uma provisão e divulga; Se for possível: Não contabiliza, mas divulga; e Se for remota: Não contabiliza e nem divulga. Priscila R. Debiazzi Consultora – Área de Impostos Federais, Legislação Societária e Contabilidade. EDITORA CPA