Segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Especialista dá dicas aos consumidores para as despesas em 2015
Como sabemos o consumidor sempre se depara com uma maior necessidade de recursos com as despesas que ocorrem no início de cada novo ano, como escola dos filhos, IPTU, IPVA e, em alguns casos, dívidas que se avolumaram do ano anterior. Veja abaixo informações e recomendações ao consumidor para controlar os gastos elevados de início de ano.
O diretor de economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Roberto Vertamatti, recomenda cautela com os tributos de início de ano, porque um possível atraso pode significar nome "negativado" e multas, algumas chegam a 20% do valor do tributo. "Temos hoje, entre tributos, contribuições e tarifas, aproximadamente 80 "impostos" diferentes e todos eles muito caros", comenta Vertamatti.
Para o contribuinte que realmente tem necessidade de fazer um empréstimo o recomendado é o consignado, que tem juros que na maioria dos bancos estão ao redor de 25% ao ano. As instituições financeiras têm como garantia a renda mensal (salário), porque esse tipo de empréstimo é feito com a concordância das empresas. Já no caso dos aposentados a garantia é o benefício da aposentadoria recebida do INSS. Confira abaixo as dicas do especialista:
Compras:
De maneira geral, pesquise sempre os preços. Esta tarefa é facilitada hoje em dia pelos sites de busca, onde você poderá conseguir diversas alternativas de preços.
Procure sempre não comprar por impulso, analisando a real necessidade do bem que você quer adquirir.
É comum todo ano acontecer lançamentos novos de aparelhos eletrônicos como celulares, tabletes, etc. Analise se realmente você precisa da nova versão do aparelho que, com certeza, é bem mais caro. Quem sabe a versão anterior, mais barata, atenderá a sua necessidade.
O ideal é fazer as compras sempre à vista, pois desta forma será possível conseguir algum desconto. Compare os preços nas diversas lojas que oferecem o produto.
IPTU:
O parcelamento é indicado somente para quem não tem recursos, mas não esqueça que parcelando, estará pagando juros. O especialista recomenda que as pessoas não atrasem com esse imposto, porque a multa, que varia de cidade para cidade, pode chegar a 20% do valor principal mais os juros que variam de 1 a 2 % ao mês. Por isso, é necessária atenção especial a este tributo, pois muitas cidades estão aumentando o valor de forma absurda, muito acima da inflação.
IPVA:
Já enquanto ao IPVA, o desconto para pagamento à vista pode chegar a 5%, dependendo do estado. Em caso de necessidade de parcelamento, Vertamatti orienta para que seja feito em três vezes. Tirar dinheiro da poupança para pagar à vista é uma opção interessante, porque o desconto normalmente é maior que o rendimento da aplicação na poupança, que estão girando em torno de 0,56% ao mês, algo como 6,5% ao ano, mais a TR que está próxima de zero. A Selic ao nível de 11,25% mantém o rendimento da poupança no mesmo nível da sistemática antiga (antes de 3 de maio de 2013), mas somente para quem aplicou até aquela época e não sacou.
Taxas de Licenciamento e Seguro Obrigatório:
Em relação às taxas de licenciamento, o valor deve ser pago em uma única vez. No caso do DPVAT ou seguro obrigatório, dependendo do estado, o mesmo poderá ser parcelado em igual número de parcelas do IPVA.
Gastos Escolares:
Um gasto importante é a mensalidade escolar. Se o consumidor tiver algum problema financeiro e não puder pagar a mensalidade, deve procurar a escola para negociar a dívida atrasada, se possível sem juros.
Outro gasto que ocorre no início do ano letivo é referente aos materiais escolares, livros e uniformes. Faça a pesquisa de preços e, tendo disponibilidade, realize o pagamento à vista, com descontos que podem passar dos 10%. "Caso não tenha disponibilidade para pagamento à vista, parcele em até seis vezes no cartão, sem juros. Mas não atrase o pagamento do cartão, pois os custos com os juros são da ordem de 200% ao ano, na média das instituições financeiras", afirma o diretor.
Gastos com a Saúde:
Parte da população brasileira consegue ter um atendimento razoável em relação à saúde porque possui plano de saúde. É verdade que alguns planos não atendem todas as demandas de tratamento, no entanto, ainda é melhor ter um plano do que estar sujeito ao atendimento público de saúde, muitas vezes com um atendimento aquém das necessidades mínimas da população. "Neste sentido é importante não ficar inadimplente com o seu plano de saúde para não estar sujeito ao corte no atendimento", afirma Roberto Vertamatti.
O diretor lembra que outros gastos necessários com relação à saúde são os remédios, que muitas vezes acabam pesando no orçamento familiar, em especial aos aposentados e idosos. Existem programas públicos de fornecimento de remédios, uma opção para a falta de recursos. Procure informações com a prefeitura de sua cidade ou órgãos das administrações dos estados e do governo federal.
Cartões de Crédito:
Se há um endividamento do qual você deva fugir sempre é o financiamento relacionado ao cartão de crédito. "Os juros são absurdamente altos, estando em média, na ordem de 200% ao ano", afirma Vertamatti.
Mesmo que você não financie suas dívidas com o crédito rotativo do cartão, cuidado com as anuidades e tarifas. Tenha sempre em mente e busque alternativas, negocie com a operadora para, se possível, não pagar nenhuma taxa de manutenção do cartão. Caso o seu cartão não permita retirar a taxa de anuidade, negocie com outra operadora.
Normalmente os cartões dão crédito pré-aprovado para ser utilizado. Lembre-se que tomar este crédito e ou parte dele, é como assumir uma dívida com juros altíssimos.
Tarifas Bancárias:
É importante ficar atento às tarifas bancárias, pois com a redução dos juros em algumas modalidades de empréstimos, os bancos estão compensando parte da perda com as tarifas bancárias. Esta é uma tendência mundial dos bancos para reforçar suas receitas com a prestação de serviços. Verifique com o gerente da sua conta bancária toda a tabela de tarifas. Negocie para reduzir algumas cobranças ou até eliminá-las.
Dicas para Poupar:
Além dos tributos de início de ano e outros gastos mencionados acima, a população deve lembrar que também temos outras contas a serem pagas. Por isso, o especialista faz algumas recomendações, como colocar no papel o quanto recebe e o que precisa gastar mensalmente, ou seja, ter um orçamento mensal. "Sempre que for comprar algo faça a seguinte pergunta a si mesmo: Eu preciso fazer este gasto agora?". De acordo com o executivo, "às vezes é necessário comprar um carro mais barato ou até mesmo adiar a compra ou um passeio para podermos economizar", afirmou Vertamatti.
A recomendação da Anefac é que a população brasileira faça uma reserva para honrar os compromissos e gastos de início do ano e que tome cuidado com o crédito ao consumidor e seus juros.
Necessidade de Empréstimo:
Caso tenha dívidas com cheque especial ou rotativo do cartão de crédito, procure o quanto antes quitá-las, mesmo que tenha que utilizar alguma reserva de poupança. Se o dinheiro da poupança não for suficiente, a opção é tomar um empréstimo bancário e/ou fazer um empréstimo consignado (juros menores), para quitar estas dívidas com juros extremamente altos.
Havendo necessidade de fazer o empréstimo, examine todos os detalhes, como taxas e custos adicionais com cadastro, taxa de juros, prazo, valor mensal, etc. É importante examinar, se possível, algumas alternativas em bancos diferentes.
Aplicações Financeiras:
Caso consiga mensalmente ter uma sobra de recursos, parabéns! Esta reserva vai ajudá-lo (a) a ter uma vida mais planejada, permitindo que você possa comprar o que precisa com dinheiro no bolso. Se as sobras forem pequenas, aplique na caderneta de poupança. Caso consiga ter uma sobra mensal de R$ 100,00 ou mais, você já pode aplicar em uma previdência e assim ter uma vida mais tranquila na sua aposentadoria. Lembre-se, quanto antes começar a poupar para a aposentadoria, maior será sua reserva.
Cuidado com os custos das Comunicações:
Hoje em dia cada vez mais temos a necessidade de telefone celular, TV por assinatura, tablet, etc. Por isso, é necessário ter cuidado com os planos de serviços das provedoras. No caso do celular, uma maneira de controle é ter o serviço pré-pago, definindo assim previamente o valor a ser gasto.
De maneira geral, esses serviços no Brasil são bastante caros, principalmente em função da tributação abusiva. Para se ter ideia, o serviço de telefonia celular tem uma carga tributária da ordem de 60% do preço do serviço. Neste sentido, temos que utilizar os serviços sempre de forma consciente, procurando o melhor retorno pelo valor cobrado. É importante salientar que a portabilidade hoje é garantida por lei, então devemos sempre comparar os serviços das diversas operadoras.
Compra ou Troca de Carro:
O consumidor brasileiro gosta de carros. Mas é importante ressaltar o alto valor dos automóveis no país em função da carga tributária, além da manutenção e das multas, tão comuns em nossas cidades e estradas.
Na compra do carro novo e ou usado, precisamos sempre levar em conta o consumo, os gastos com manutenção, etc. É perfeitamente lícito que cada cidadão tenha o desejo de ter um carro, mas pense muito bem antes de comprá-lo e ou trocá-lo.
Recomendações ao Consumidor:
O sistema financeiro tem expandido cada vez mais o crédito às empresas e às pessoas físicas, contribuindo assim com o desenvolvimento econômico do Brasil. Com crédito os mercados se desenvolvem, as empresas investem, ampliam suas vendas, geram empregos e as pessoas antecipam a realização de seus sonhos. No entanto, é preciso que você saiba como usá-lo para melhorar a sua vida sem gerar problemas.
- Organize a sua vida financeira elaborando um orçamento doméstico como forma de definir quais são as suas reais necessidades, planejando todos os seus gastos.
- Gaste menos do que ganha como forma de fazer uma reserva financeira para fazer frente a eventuais gastos extras, previstos ou não, ou até para planejar a compra de algum bem no futuro.
Lembre-se, toda vez que você gasta mais do que ganha, ou ficará inadimplente e com isso sujeito a todas as consequências de ter o nome "negativado", não tendo, portanto, acesso a qualquer tipo de crédito, ou ainda terá que recorrer a empréstimos e assumir o pagamento de juros.
Taxa de Juros:
Destacamos que as taxas de juros são livres e são estipuladas pela própria instituição financeira, não existindo qualquer controle de preços ou limites pelos valores cobrados. A única obrigatoriedade que a instituição financeira tem é informar ao cliente quais as taxas que lhe serão cobradas caso recorra a qualquer tipo de crédito. Por existirem variações entre as taxas de juros das diversas instituições financeiras, recomendamos:
•Quando da contratação de um financiamento, pesquise sempre a taxa de juros e demais acréscimos;
•Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas;
•Evite empréstimos de longo prazo que embutem custos maiores;
•Evite entrar no rotativo do cartão de crédito e do cheque especial, pois possuem as maiores taxas de juros;
•O cheque especial não é renda e deve ser utilizado por um período curto e emergencial. Se tiver necessidade de usar este limite por um período maior procure a sua instituição financeira e faça um empréstimo pessoal (que tem custos menores), quitando a dívida com o cheque especial;
•Existem linhas de crédito mais baratas como o micro crédito que tem taxa de 1,5% ao mês e o crédito consignado com desconto em folha, assim, caso necessite de crédito, veja preferencialmente essas possibilidades de empréstimos com juros mais baratos;
•Não deixe suas dívidas crescerem mais por conta dos juros de mora e multas. Procure o credor de sua dívida e proponha uma renegociação do prazo e das taxas de juros em uma condição que consiga cumprir;
•Se possível, adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar o que precisa à vista evitando os juros. Entretanto, caso não seja possível, pesquise, barganhe e compre nos menores prazos possíveis, pois quanto menor o prazo, menor a incidência de juros;
Resumindo, use o crédito com moderação e conscientemente.
Fonte: site Investimentos e Notícias.