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Segunda-feira, 13 de julho de 2015

Uso de eletrônicos afeta saúde e desempenho escolar de crianças

O uso em excesso de jogos de computador por jovens chineses parece estar causando danos alarmantes nesses adolescentes, o que começa a chamar a atenção de pais de outros países, cujos filhos passam horas por dia de olho nas telas eletrônicas. Médicos do país consideram o fenômeno um transtorno clínico e criaram centros de reabilitação, onde jovens ficam isolados de todos os tipos de mídia eletrônica por meses. A eficácia do tratamento, porém, ainda precisa ser demonstrada. Nos EUA e em outros países ocidentais, não há dúvidas de que os jovens ficam conectados por mais tempo do que o considerado saudável para o desenvolvimento normal. E a relação com a tela começa cedo, quando bebês recebem tablets e celulares para que se entretenham. A Academia Americana de Pediatria afirma que uma criança de 8 a 10 anos de idade passa, em média, oito horas por dia com diferentes tipos de mídia eletrônica. A TV continua sendo a mídia dominante, mas computadores, tablets e celulares aos poucos vão ganhando espaço. Os pais, gratos pelo efeito calmante dos eletrônicos sobre as crianças, parecem não ter ciência sobre o potencial danoso de tantas horas no mundo virtual. "Estamos dando distrações às crianças em vez de ensiná-las a se acalmar", disse Catherine Steiner-Adair, psicóloga clínica de Harvard. Efeitos danosos Ainda que novos artigos apontem que os eletrônicos podem ser úteis aos menores de três anos, desde que sejam educativos e interativos, a Academia Americana de Pediatria mantém a recomendação de que, antes dos dois anos de idade, as crianças não deveriam ser expostas a nenhuma mídia eletrônica, porque "o cérebro da criança se desenvolve rapidamente nesses primeiros anos e crianças pequenas aprendem mais interagindo com as pessoas, não com telas". Para a entidade, crianças mais velhas e adolescentes não deveriam gastar mais do que duas horas por dia com esse tipo de entretenimento. O uso pesado de eletrônicos pode ter efeitos negativos no comportamento, na saúde e no desempenho escolar dos pequenos. "Quanto mais crianças se comunicam por meios eletrônicos, mais elas se sentem solitárias e deprimidas", diz Kristina E. Hatch, pesquisadora da Universidade de Rhode Island (EUA). As consequências físicas incluem dores nos dedos, pulso, pescoço e nas costas. A próxima epidemia parece ser a de mensagens de texto. Nos EUA, metade dos adolescentes manda 50 ou mais mensagens por dia. Entre os que têm 13 e 17 anos especificamente, a média diária é de 112 mensagens. Fonte: Folha de S.Paulo, traduzido do The New York Times.