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Terça-feira, 4 de agosto de 2015

Carro não é investimento

A primeira lição que aprendi com meu pai quando decidi comprar meu primeiro carro foi que o automóvel não é investimento: é gasto e pode custar mais que criar um filho. Na hora da compra, o preço já é quase extorsivo: um carro no Brasil custa até três vezes mais que nos Estados Unidos. Em seguida, vem o gasto com seguro, que pode chegar a 10% do valor do carro. Inclua na conta os gastos com combustível, manutenção, lavagem, consertos necessários após acidentes e você vai ter uma conta capaz de bancar um filho na faculdade. A recomendação então é não comprar um carro? Claro que não. Usar o transporte público é melhor para as cidades como um todo, além de ser mais barato. Mas se ter um carro é importante para a sua rotina —e se seu orçamento permite— vá em frente. Apenas tenha em mente que ele não é um investimento que trará retorno financeiro. Isso inclui não trocar de carro todos os anos, como fazem muitas pessoas para evitar que o veículo “perca valor”. Em seu livro “Por que não me ensinaram isso na escola?”, o executivo Cary Siegel faz essa recomendação: “Dirija seu carro até que ele desmonte”, é o título de um dos capítulos da obra. Faça as contas: assim que você tira o carro zero da concessionária, ele perde até 20% de seu valor. Ao comprar um carro de R$ 60 mil, você perde, portanto, R$ 12 mil antes mesmo de colocá-lo na garagem de casa. Troque de carro nas mesmas condições todos os anos, e em cinco anos você terá “perdido" um carro inteiro (em uma situação hipotética que desconsidera a inflação). Mantenha o primeiro carro e em cinco anos você terá pelo menos um carro velho, sem nenhum gasto extra para troca. Para que a recomendação seja válida, no entanto, é preciso não descuidar da manutenção do carro: veículos mal cuidados, além de darem mais gastos na hora da quebra, colocam a sua vida em risco. E esse é o maior gasto que você não pode ter. Fonte: www.ivie.com.br