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Sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Faturas terão de ser mais claras

As administradoras de cartão de crédito terão de trazer informações mais claras sobre estornos nas faturas. Essa ação visa deixar mais claro o que acontece quando a compra é cancelada e deverá entrar em vigor em todas as administradoras de cartão até o fim deste ano.

Hoje, a informação causa confusão no consumidor. Por exemplo, o cliente faz uma compra no valor de R$ 1 mil, parcelada em cinco vezes de R$ 200, mas deseja cancelar – seguindo o prazo estipulado pelo Código de Defesa do Consumidor. É gerado um crédito de R$ 1 mil na fatura, acompanhado do débito da primeira parcela, e será assim até finalizar a compra.

O coordenador da área de autorregulação da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Marcelo Takeyama, explica que todos os bancos emissores de cartões de crédito já informam o estorno, mas foi verificada uma possibilidade de aperfeiçoar o sistema. “O método de estornar o valor e cobrar a parcela mês a mês será abolido. Para acabar com a confusão, o crédito da compra e o débito das parcelas constarão em uma única fatura. Ou seja, a cobrança das parcelas será acelerada e tudo ficará acertado de uma vez só.”

Segundo Takeyama, não há problema na forma como os bancos costumam fazer. A mudança servirá apenas para melhorar o entendimento do consumidor. A proposta partiu do Procon/RJ, que verificou a falta de clareza em vários casos. “O Procon carioca procurou a Abecs e decidimos entrar em acordo”, afirma.

Apesar de a iniciativa ter partido do Procon-RJ, Takeyama afirma que a medida deverá valer para todo o País, uma vez que serão alterados os sistemas que operam no Brasil inteiro.

Para o advogado especializado em defesa do consumidor Josué Rios, consultor do JT, essa mudança não beneficia nem prejudica o consumidor, “apenas facilita a vida dele”. Rios considera esse tipo de iniciativa amigável como a melhor forma para aperfeiçoar as relações de consumo. “Estimula a transparência e facilita a compreensão do consumidor”.

Endividamento
De acordo com estudo realizado pela ProTeste (Associação de Consumidores), as dívidas comprometem, em média, 42% da renda familiar, sendo que o limite ideal é de 30%. O porcentual cresce quando analisados apenas os integrantes da classe C: 46,3%. Para o órgão, esse grau de comprometimento é resultado da combinação entre juros altos, falta de planejamento nas finanças e as facilidades em se obter crédito.

O levantamento também mostra que uso do cartão de crédito é uma das principais fontes de problemas à saúde financeira das famílias – 56% têm um ou dois cartões e 38,1% afirmam que não conseguem pagar as faturas na data de vencimento.

Fonte: Jornal da Tarde.