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Quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O reflexo do sistema educacional do Brasil.

A carência de recursos humanos qualificados, em quantidade suficiente para atender à demanda da aquecida economia brasileira nos últimos anos, é um desafio para as empresas e o país. Trata-se de uma clara evidência de que o nosso sistema educacional, refletindo os equívocos do passado, está em crítico descompasso com o mercado de trabalho, num Brasil que cresce com base na ascensão e inclusão socioeconômica das classes C e D.

A conversão do ensino de excelência para provedor de capital humano de alto nível, em caráter intensivo, é um processo de longa maturação. Se agregássemos, de imediato, a devida qualidade a partir da Educação Infantil, colheríamos esse fruto somente daqui a vinte anos, quando essa nova geração estaria se formando nas universidades. Enquanto isso não ocorre, seguimos enfrentando uma situação no mínimo paradoxal, para não dizer irônica: temos uma das mais baixas taxas de desemprego de toda a nossa história, mas faltam profissionais qualificados.

Uma alternativa eficaz, que apresentou ótimos resultados à época das vacas gordas na Europa e nos Estados Unidos, é a alocação de mão de obra assistida, algo novo no Brasil, um país que vai incorporando soluções indispensáveis pelas economias em franco desenvolvimento. Trata-se de um modelo capaz de atender empresas que necessitam de profissionais especializados por um tempo pré-definido.

A modalidade é, na maioria das vezes, demandada pelas áreas administrativas, como finanças, recursos humanos e, principalmente, tributos e contabilidade, pois nestas duas últimas surgem de modo frequente novas normas, instruções e leis, às quais as organizações precisam adaptar-se com agilidade.         

Diferentemente do serviço de alocação tradicional, o profissional da mão de obra assistida passa por um treinamento de especialização antes de assumir seu posto e continua sendo treinado, caso haja algum gap técnico durante a sua permanência no projeto.

As empresas buscam esse tipo de serviço quando estão passando por expansão de seus negócios, reestruturações, trabalhos extras e/ou contingenciais como conciliações atrasadas, reconciliações, elaboração e revisão de obrigações acessórias, regularização de livros ficais e contábeis, dentre outras demandas. Além disso, a mão de obra assistida é providencial para as firmas que têm limites de headcount ou têm dificuldades na liberação de profissionais para férias ou dispensa médica por ocasião de gravidez, e atuam em atividades nas quais se verifica maior carência de recursos humanos qualificados.       

No caso do Brasil, todas essas situações encontram-se em fase aguda, dado o aquecimento do mercado de trabalho, contraposto à grande defasagem histórica de nosso sistema educacional. Se em nações onde o ensino é capaz de prover em profusão capital humano de alto nível, a mão de obra assistida continua fazendo sentido, imagine aqui, onde o descaso com a escola é uma das grandes marcas negativas de nossa história.  

Vagner Jaime Rodrigues é sócio diretor da Trevisan Gestão e Consultoria, mestre em Contabilidade pela Fecap, pós-graduado em Marketing de Serviços pela FGV-SP.  É professor da Trevisan Escola de Negócios.