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Quinta-feira, 9 de maio de 2013

Inflação ficará acima do teto em boa parte do ano

Em 12 meses, ainda que com alguma desaceleração em relação a março, a inflação é de 6,49%, ao redor do teto da meta estabelecida pelo governo (6,5%).

Alessandra Ribeiro

 

A alta de 0,55% no índice oficial de inflação (IPCA) em abril surpreendeu negativamente, ficando acima do teto das projeções (0,42% a 0,54%), o que evidencia que o quadro inflacionário segue complicado. Em 12 meses, ainda que com alguma desaceleração em relação a março, a inflação é de 6,49%, ao redor do teto da meta estabelecida pelo governo (6,5%).

 

Uma das surpresas negativas foi, mais uma vez, a inflação da alimentação, que resiste a desacelerar mais significativamente, com 0,96% ante 1% na prévia do índice de abril (IPCA-15). De um lado, os produtos in natura mostraram desaceleração, mas a alta ainda é significativa. De outro, os preços de leites e derivados, cereais, panificados e farinhas aceleraram em relação ao IPCA-15, impedindo uma redução na variação de preços do grupo.

 

Ainda que a alta dos preços de alimentos continue a incomodar, a culpa pela inflação mais elevada vai além desse item. A média das medidas de núcleos (cálculos que retiram da conta os itens mais voláteis) atingiu 0,54% no IPCA ante 0,48% no IPCA-15. Além disso, o índice de difusão (porcentual dos preços que estão subindo), exceto alimentos, mostrou ligeira queda, de 69,9% para 68% na mesma comparação, mas segue elevado.

 

Reforça essa análise de que a alta de preços é mais generalizada o comportamento dos preços de serviços (sem considerar o item passagem aérea, devido à elevada volatilidade), que voltaram a acelerar, de 0,67% para 0,72% entre a prévia e o IPCA de abril, com 8,45% em 12 meses.

 

Diante desse quadro, a expectativa é de uma inflação acima do teto da meta em boa parte do ano. Ainda que em abril tenha recuado para 6,49%, a inflação em 12 meses voltará a romper o limite superior da meta em maio, e deve ficar até agosto. Assim, a projeção de 5,6% da Tendências para a inflação no ano passa a ter viés de alta. A pequena alta de juros sinalizada pelo Banco Central não altera esse viés, tendo em vista a obstrução dos canais de atuação da política monetária, assim como os efeitos já evidentes na curva futura de juros e a retomada da tendência de alta das expectativas de inflação.

Fonte: O Estado de S. Paulo