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Dólar recua após atingir maior valor em quatro anos
Moeda americana fechou em queda de 0,88% em relação ao real, com dados ruins dos EUA e realização de lucroFabrício de Castro
Após os fortes ganhos recentes, que fizeram o dólar atingir o maior nível em quatro anos em relação ao real, a moeda americana fechou ontem em queda de 0,88% no mercado brasileiro, cotada a R$ 2,1280.
A queda veio em sintonia com o cenário externo. A divulgação de dados ruins de atividade do setor industrial americano fez a dólar recuar em relação ao euro, ao iene e às divisas com elevada correlação com commodities, como o real.
Como o dólar subiu bastante em relação à moeda brasileira nas últimas semanas, os investidores viram espaço para venda, com lucro. Além disso, a pesquisa de demanda por leilão de swap tradicional (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), realizada no fim da tarde de sexta-feira pelo Banco Central, contribuiu para o viés de baixa da moeda americana.
Recuo. Pela manhã, o Instituto para Gestão de Oferta (ISM, na sigla em inglês) informou que o índice de atividade do setor de manufatura dos Estados Unidos caiu para 49,0 em maio, de 50,7 em abril. A previsão dos economistas era de avanço para 51,0. 0 dado abaixo de 50 indica contração da atividade, após cinco meses de expansão.
O número foi a senha para que o dólar recuasse em relação a outras moedas, em meio à leitura de que a economia americana pode ainda não estar preparada para a redução dos estímulos por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
"É só um ajuste técnico. Tivemos várias sessões seguidas de alta e a semana passada foi atípica, com um dia de feriado no Brasil e outro nos Estados Unidos", comentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. No Brasil, 0 dólar havia subido ante o real por cinco sessões seguidas, até fechar em queda ontem. "Mas acho que essa queda, embora possa animar quem está vendido, não representa nenhuma tendência", disse Bergallo.
Um operador da mesa de câmbio de um grande banco chamou a atenção para o fato de que,, mais cedo, a moeda americana estivesse caindo em relação ao real em ritmo mnor que ante outras divisas no exterior. "Foi um movimento especulativo, com investidores querendo saber se o BC de fato atuaria com o dólar mais alto", comentou. À tarde, isso mudou. "Havia uma resistência em um patamar mais elevado, mas isso acabou perdendo a força e voltou a sobrar dólar no mercado", comentou.
Embora em segundo plano, a possibilidade de atuação do BC por meio de swap cambial tradicional favoreceu a queda do dólar, assim como o leilão de títulos cambiais do Banco Econômico, marcado para hoje.
Fonte: O Estado de S. Paulo


